Não, não pode ser:
Pessoas que sobre outras
ferozes como cães
avançam, batem,
esbofeteiam
e espancam: querem ver vermelho
que escorre
e pela pele emudece e escurece
desaparece o sereno,
faz-se desespero:
falar, falar, falar o
quê?
Nada sei; nada sei,
Sei nada...
Desespero, agonia: bomba!
Ai meu Deus!
Não, não pode ser,
não, não quero ver:
meus olhos estão
cerrados,
rosto inchado:
vem morte
que não sofre, que
não pode...
vem
liberta o pobre!
São Paulo, 28.11.92
© Antônio Jackson de Souza Brandão