gado manso
Gado manso, gado manso
vem
pastar , gado manso
você é
algibeira
dos que
podem, dos que têm...
Vem gado manso, vem.
Conhece aquele curral,
foi feito
pra você, gado manso.
Vem, vem , gado manso.
Você que se alegra de saber
que a
madeira é pobre
mas que,
pensa você, quando quiser
é só sair...
Não é , gado manso ?
Até parece ser verdade,
não é
gado manso ?
Mas...
e as rédeas
que não
te deixam mover
de per si /
Come, bebe, caga, gado
manso !
Amanhã terá a recompensa:
Nem teus chifres escaparão
gado manso
!
Nem a bosta do curral,
nada,
nem a dor
ou a luta
que não
lutaste
nem a
lágrima que sequer derramaste.
Nada,
pois quem
é você, gado manso ?
Somente uma
pequena peça
de xadrez
nas mãos d’alguns...
São Paulo, 17.11.92
© Antônio Jackson de S. Brandão