A parede parada está
imóvel.
sozinha.
Todos a ignoram,
a furam,
a esburacam.
Sozinha, imóvel.
Quanta ingratidão!
Pobre parede
que dos pobres é abrigo
que dos ricos é conforto:
sozinha e imóvel.
Nenhuma palavra,
nenhum suspiro:
só lamento e dor.
Que dos paredões das ditaduras
viram o terror,
que choraram como mães
a ver seus
amigos tombarem...
Parede que lentamente
nasceu do suor,
do trabalho
de noites mal dormidas
de tantos...
Parede!
agradeço pelas noites de frio
quando a meu lado me protegeu;
agradeço quando na chuva
não me deixou resfriar;
ou quando amava
me velava...
Queria poder abraçá-la parede!
Com meus braços agradecer-lhe,
porém
sou pequeno...
Recebe meu beijo,
que é com carinho;
desculpe aqueles que a
maltratam, maltrataram ou maltratarão...
Você sabe bem que ficarão
em solidão,
a seu lado
na morada eterna...