|
|
A noite |
|
|
A noite nos vem,
o frio nos abraça;
nos proteger queremos...
Mas como?
Não temos cobertas,
nem mantas,
nem pampas;
A chuva de ontem
só lama deixou...
Nosso coração ficou só.
Porém,
até quando?
Saio a buscar estrelas,
caminho sobre as
nuvens
e apanho duas...
As levo para o deserto,
elas iluminam
a noite sombria,
me mostram caminhos
que não via.
Sinto valores perdidos
sob a negritude
noturna
da noite
pobre noite...
Ela me disse que
não queria se esconder,
que não foi por mal,
que é anormal para ela.
Respondo-lhe que;
se ela não existisse
como pegaria as estrelas
que dela são filhas
e poria a descoberto
tamanhas feridas
no deserto de minha vida?
Não, não é culpada.
Não chores sobre
a ferida.
Que seríamos sem ti?
Um triste
bem-te-vi
que cantar não sabe.
© Antônio
Jackson de S. Brandão |