ЈαскВяаn Consultoria Ltda.

                  

 

Ao Luar Serenar

 

  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Se uma lâmpada fosse
Me apagaria... Sim me apagaria e
Pediria ao velho:
Me apague.
Se uma lâmpada fosse
Apagar-me-ia para que os
Lampiões tornassem a ascender...
Poder ver os homens de terno
A sair do bonde
Da Direita ou pela esquerda
Não importa onde.
Ver as mulheres de longo
Com seus longos, ao ar...
O sorriso, a fronte serena
Quero beijar...
Vejo o velho me ligando
Seus cabelos prateados pelo
Tempo veloz...
Não, não acenderei; surgirei:
Inflamar-me-ei de querosene.
Repentinamente, o brilho
Nos olhos, ante lacrimosos,
Agora vivos, fugazes.
Não mais de pijama está,
De fraque sim...
Regressar à boemia,
às velhas cantigas e as
Donas flertar...
À saída do Municipal,
A entrada-saída da ilusão;
A ópera, a música; o jovem
Villa vai tocar.
Seus sonhos, meus sonhos
Lembranças, saudades,
A lua a luar,
Seu luar faz-me
Serenatar;

Faz-me serenar...
Os anciãos à praça ficar
Tempos loucos: quantos
Autos a passar!

Ah juventude, doce juventude!
Vejo-o a vê-la entrementes,
Seus olhos a piscar
Um ao outro...
Seu sol tem outro brilho,
Seus raios são d’ouro,
Quantos jasmins
Nos seus jardins!...
A fumaça surge então,
O sol escurece,
O jasmim apodrece,
Finda-se o querosene, lampião
Vejo-me em solidão:
Ilusão.

                                                                          © Antônio Jackson de S. Brandão