ЈαскВяаn Consultoria Ltda.

                  

 

 

Photo

 

  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Lá está ela

na parede:

estática, imóvel, silenciosa...

Que bela!

Sou eu mesmo?

Não creio ainda...

Como mudei!

A pele lisa murchou,

o cabelo negro

embranqueceu...

A sombra naquela parede

é a mesma d’agora!

Agora... eu a vejo

como me viu

o fotógrafo

outrora...

Mesmo ângulo,

mesmo jeito... Meu irmão

atrás brincando,

minha mãe sorrindo,

meu pai sentado,

minhas tias...

Sou eu?!

Que festa naquele dia!

Roupa nova,

cabelo com brilhantina

tinha se ido a escarlatina...

Te olho agora

buscando-me em ti:

As lágrimas escorrem:

sinto-te festa!

sinto a alegria...

Foi-se a monotonia.

Da parede a tiro

levo-a ao peito,

me deito

a contemplar-te agora:

Por que choras?

pergunta-me o eu ali

estampado.

Receio responder. Calo-me.....

Uma lágrima cai,

sinto um ai!

que sai do peito.

Por que choro?

Não sei.

Talvez porque ela esteja amarelada

e eu... estou indo embora pra...?

Sei lá ... outra quimera.

 

                                                                         © Antônio Jackson de S. Brandão