eu
escrevo / eu escrevi Ganhei!
Cheguei.
Chove. Estrutura do verbo Uma forma verbal é constituída por radical, desinências,
vogal temática.
Cantei,
cantaste,
cantou Falássemos
-sse-:
desinência modo-temporal (subjuntivo-pretérito imperfeito)
-mos:
desinência número-pessoal (1ª pessoa do plural) Vogal temática:
além de permitir a ligação do radical
com as desinências, indica a que conjugação o verbo pertence:
Falaste
– a –
1ª conjugação
(verbo falar); Vendeste
– e –
2ª conjugação ( verbo
vender);
Tempo O tempo verbal indica o momento em que o processo verbal
acontece: se é anterior, simultâneo ou posterior. Essas possibilidades são
expressas pelo:
Pretérito,
que pode ser perfeito (ação iniciada e concretizada no passado), imperfeito
(ação iniciada e não concretizada num dado momento)
e mais-que-perfeito (ação iniciada e concretizada no passado
anterior a outra também realizada e concretizada no passado);
Presente
é o momento, o agora, o átimo; é indivisível; Futuro,
que pode ser do presente (ação certa) e do pretérito (ação provável
dependente de outra). Além dessas ideias, podemos afirmar que os tempos verbais
também podem estabelecer outras relações:
Presente do indicativo,
ele escreve / ele escreveu
a)
Um processo habitual:
Eu ando de bicicleta
pela manhã.
b)
Um processo permanente:
A água ferve a 100ºC.
c)
Futuro:
Amanhã eu volto!
d)
Passado (o presente histórico):
Os revolucionários
chegam à Bastilha e a tomam.
→
O presente
do verbo estar + gerúndio pode transmitir
simultaneidade:
O que você está fazendo?
Estou lendo.
Imperfeito do indicativo,
além de indicar uma ação iniciada e não concluída
no passado, pode:
a)
ter valor de futuro do pretérito, sobretudo na linguagem coloquial.
Se eu não fosse tímido,
te dava um beijo!
b)
indicar uma
ação passada habitual ou repetitiva:
Ia ao parque e caminhava como se aquilo fosse sua religião.
c)
indicar polidez para atenuar uma afirmação ou um pedido:
O senhor podia
chamar a Sandra?
Mais-que-perfeito do indicativo,
pode
indicar, na literatura, futuro do pretérito ou imperfeito do subjuntivo:
[...] Mais servira se não fora
Para tão longo amor tão curta a vida.
(Camões)
Futuro do presente e o futuro do pretérito do indicativo
podem indicar presente ou passado, com nuances de dúvida, de idéia aproximada. Desta forma, esses tempos verbais são muito usados na linguagem coloquial:Ela terá hoje uns vinte
anos.
Ela teria naquele tempo uns dezessete anos.
Essas e outras variações servem para dar um valor especial
ao texto. Por estar fora de seu contexto real nas orações acima, o verbo ter
pode ser substituído pelo verbo estar sem que isso altere a idéia da oração:
Ela estará hoje com uns quinze anos.
Ela estaria naquele tempo com uns quinze anos.
O futuro do presente
também pode ter valor imperativo:
Não cobiçarás a mulher do próximo.
Modo
Temos, na Língua Portuguesa,
três modos verbais:
Indicativo:
exprime, em geral, ideias objetivas e não dependentes de
outra
Eu escreverei um livro.
Se eu fosse capaz, escreveria um livro.
Imperativo:
exprime ordem, pedido, súplica
Escolha um livro!
a)
usar o indicativo em situações hipotéticas:
Se eu te pego colando,
recolho tua prova!
b) usar o subjuntivo em
situações reais:
Como estivesse de
bermuda, não o deixaram entrar.
c)
pedir ou mandar sem usar o imperativo. O futuro do pretérito sugere boas
maneiras:
Motorista,
poderia parar no próximo ponto?
O momento de ocorrência de um processo
verbal é marcado pelo tempo, mas há ainda certas marcações que indicam outras
gradações do mesmo. São os aspectos verbais, que podem indicar, por exemplo,
a) se um processo verbal
foi concluído (aspecto perfeito):
Ele jantou fora.
b) se o processo verbal se estende por um período (aspecto
imperfeito):
Ele janta fora aos
domingos.
c) se ele está no início (aspecto
iniciativo):
Ele começou a jantar.
d) ou se o processo verbal está no fim (aspecto conclusivo):
Ele acaba de jantar.
→
Atenção: os aspectos verbais
são marcados geralmente por perífrases verbais ou por sufixos,
como -ecer
(que indica início: amanhecer, anoitecer) ou -ejar
(indica repetição: sacolejar, pestanejar).
Formas simples e compostas
As formas simples são as constituídas por uma só palavra:
Eu almocei ontem.
As formas compostas são constituídas pelos verbos auxiliares
ter e haver + o particípio do verbo principal:
Eu tinha almoçado.
Alguns tempos possuem
apenas formas simples, outros, apenas a forma composta.
Não se pode esquecer de
que, além desses tempos compostos, existem as locuções verbais, formadas por
verbos auxiliares (em geral, ser, estar, ter e haver) + verbo principal em uma
das formas nominais:
Eu estava caminhando.
Ele tinha sido convidado.
Lúcia vai ser convidada
para o chá.
Formas nominais
São aquelas que podem comportar-se
como nome (substantivo, adjetivo ou advérbio). Há três formas nominais em
português:
I.
Infinitivo:
é o nome do verbo; é a forma que
mais se aproxima do substantivo e frequentemente ocupa o lugar de um sujeito:
Falar é prata, calar é
ouro.
Há dois tipos de infinito:
a) o impessoal, que não se refere a nenhum ser em especial e não é flexionado;
b) o pessoal
que se refere a uma das pessoas do discurso, sendo, portanto, flexionado.
Emprego do infinitivo pessoal
Emprega-se o infinitivo pessoal basicamente, quando o sujeito
do infinitivo é diferente do sujeito do verbo da oração principal:
Passei aqui para
jantarmos juntos.
Jamais se usa o infinitivo pessoal em locuções verbais:
Nós vamos trabalharmos
II.
Particípio:
é a
forma verbal que se aproxima do adjetivo e a única que
apresenta flexão de gênero:
Ela é conhecida por
todos.
Ele é conhecido por todos.
Há alguns verbos que apresentam mais de um particípio, são os chamados verbos abundantes, como é o exemplo do verbo tingir, cujo particípio pode ser tingido (particípio regular) e tinto (particípio irregular). Normalmente, os regulares são utilizados com os verbos ter e haver (tempos compostos) e os irregulares com os verbos ser e estar (voz passiva).
III.
Gerúndio:
é a forma verbal que se aproxima do advérbio, normalmente
presente em orações adverbiais reduzidas:
Só amando você pode ser feliz.
Tempos e modos verbais
É necessário saber que temos dois tipos de
a) tempos primitivos
- a partir dos quais os outros tempos se originam: presente do
indicativo, pretérito perf
Vozes
do verbais
As vozes verbais são três:
Ativa:
quando o sujeito é agente do processo verbal:
Jônatas
plantou uma árvore.
Passiva:
quando o sujeito é o paciente do processo verbal, isto é, ele não age, mas é
atingido pela idéia expressa pelo verbo:
Uma árvore foi plantada por Jônatas.
Há dois tipos de voz
passiva:
a) Integrante:
Não sei se ela aceitará.
b) Condicional:
Choverá se ventar.
c) Índice de indeterminação do sujeito:
Precisa-se de braços.
II. Pronome oblíquo
a) Pronome reflexivo:
Paulo cortou-se.
→
Pode ser substituído por
a si mesmo, a si próprio
b) Partícula apassivadora:
Não se alugou o apartamento
→
O pronome apassivador “se”
JAMAIS deve ser confundido com o índice de indeterminação do sujeito “SE”.
Observe:
Viu-se
ali uma cena dantesca.
→ Observe que, nessa oração, o sujeito é “uma cena dantesca”, logo temos uma passiva sintética. Pode-se substituir o SE da oração anterior pelo verbo SER + o particípio do verbo principal correspondente:
Uma cena dantesca
foi
vista
ali.
→
Sendo seu verbo transitivo indireto (atente para a
preposição
após o verbo), não se pode formar voz passiva. (
→
JAMAIS se forma passiva com verbos transitivos indiretos,
intransitivos e de ligação.) Neste caso, “um novo contato” não pode ser sujeito
do verbo anterior por dois motivos:
De um novo contato era tratado. (!)
c) Partícula integrante do verbo
→
Há verbos que são
essencialmente pronominais e conjugados com o pronome. Não se deve confundi-los
com os verbos reflexivos, que são, acidentalmente, pronominais. Os verbos
essencialmente pronominais geralmente se referem
a sentimentos e fenômenos mentais: indignar-se,
ufanar-se, atrever-se, admirar-se, lembrar-se, esquecer-se, orgulhar-se,
arrepender-se, queixar-se, etc.:
Pedro
se
orgulha de sua gente.
d) Partícula expletiva ou de realce
→
quando seu uso não é rigorosamente necessário, ocorrendo ao lado de verbos de movimento ou que exprimam atitudes da pessoa em relação ao próprio corpo como ir-se, partir-se, chegar-se, rir-se, sentar-se:
Todos
se
partiram bem cedo.
e) Sujeito de um infinitivo
→
os pronomes oblíquos
atuarão como sujeito após os verbos
auxiliares
causativos (deixar, mandar e fazer) e sensitivos (ver, ouvir, sentir etc.)
quando seguidos de objeto direto na forma de oração reduzida:
Deixou-se → oração principal
ficar
à janela o dia todo.
→
oração subordinada substantiva objetiva direta
Portanto, o
se
da oração 1 (Deixou-se) é o
sujeito da 2 (ficar
Da mesma forma em:
O irmão deixou-se
envolver por más companhias.
Lúcia deixou-se
guiar pelo cão ensinado.
Classificação dos verbos
I.
Regulares
são aqueles cujos radicais não se alteram e cujas terminações obedecem ao
paradigma da conjugação a que pertencem.
II. Irregulares são aqueles que apresentam irregularidades no radical ou nas terminações.
III.
Anômalos
são aqueles que apresentam profundas modificações em seus radicais. Há dois na
Língua Portuguesa: ser ou ir.
a) verbos impessoais: anoitecer, chover, gear, ventar, que só se conjugam na 3ª pessoa do singular;
b)
verbos que indicam vozes de animais:
latir, cacarejar, relinchar, que só
se
conjugam na 3ª pessoa do
singular (ele) e do plural (eles).
c) verbos que, normalmente, por motivos eufônicos não
apresentam todas as formas e cuja maioria pertence a 3ª conjugação (-ir).
Exemplos: abolir, banir, colorir, extorquir (não têm a 1ª pessoa do singular do
presente do indicativo); falir, precaver (só têm 1ª e 2ª pessoas do plural
– nós, vós – no presente do indicativo).