Prof. Dr. Antônio Jackson de Souza Brandão
 
 
Figuras de linguagem
 
 

Figuras de linguagem

 

1. Leia atentamente o seguinte texto e responda (1)

 

Vai levando

Mesmo com toda a fama

Com toda a brahma

Com toda a cama

Com toda a lama

A gente vai levando

A gente vai levando

A gente vai levando

A gente vai levando essa chama

 

Mesmo com todo o emblema

Todo o problema

Todo o sistema

Toda Ipanema

A gente vai levando

A gente vai levando

A gente vai levando

A gente vai levando essa gema

 

Mesmo com o nada feito

Com a sala escura

Com um nó no peito

Com a cara dura

Não tem mais jeito

A gente não tem cura

 

Mesmo com todavia

Com todo dia

Com todo ia

Todo não ia

A gente vai levando

A gente vai levando

A gente vai levando

A gente vai levando essa guia

 

(BUARQUE, Chico e VELOSO, Caetano. “Vai levando”. ln: Chico Buarque & Maria Bethânia. Lp Philips n? 6 349 146,1975. L. 2. f. 7.)

 

a)           Na letra da música acima, prevalece a denotação ou a conotação? Justifique.

 

b)           Destaque quatro palavras do texto usadas em sentido conotativo e comente-as.

c)            Escreva uma frase com cada uma das quatro palavras selecionadas na resposta anterior de maneira a pre­valecer seu sentido denotativo.

 

 

2. Leia atentamente o seguinte texto e responda. (2)

 

Brejo da Cruz

 

A novidade

Que tem no Brejo da Cruz

E a criançada

Se alimentar de luz

Alucinados

Meninos ficando azuis

E desencarnando

Lá no Brejo da Cruz

Eletrizados

Cruzam os céus do Brasil

Na rodoviária

Assumem formas mil

Uns vendem fumo

Tem uns que viram Jesus

Muito sanfoneiro

Cego tocando blues

Uns têm saudades

E dançam maracatus

Uns atiram pedra

Outros passeiam nus

 

Mas há milhões desses seres

Que se disfarçam tão bem

Que ninguém pergunta

De onde essa gente vem

São jardineiros,

Guardas-noturnos, casais

São passageiros

Bombeiros e babás

Já nem se lembram

Que existe um Brejo da Cruz

Que eram crianças

E que comiam luz

São faxineiros

Balançam nas construções

São bilheteiras

Baleiros e garçons

Já nem se lembram

Que existe um Brejo da Cruz

Que eram crianças

E que comiam luz

( HOLANDA, Chico Buarque de. ln:Chico Buarque. LP Barclay nº 825 161. L. 1, f. 2.)

 

a)           Aponte dois exemplos de hipérbole.

b)           Aponte, se houver, um processo metafórico e outro metonímico presentes no texto.

c)            O texto apresenta uma sonoridade obtida pelo emprego constante de um fonema. Qual o fonema? Indi­que cinco palavras em que ele apareça.

d)           Fui “Qual o fonema?” temos uma figura de linguagem. E de palavra, de construção ou de pensamento? Que figura é?

e)           A Partir de semelhanças sonoras, o compositor faz um jogo entre duas palavras, estabelecendo uma rela­ção de causa e efeito. Aponte-o.

f)             Ainda em relação aos versos que respondem ã pergunta anterior: qual a figura de construção que eles apresentam?

g)           O texto afirma que, muitas vezes, o disfarce utilizado pelos naturais de Brejo da Cruz é tão assimilado que eles já. nem se lembram que existe um Brejo da Cruz”. Essa assimilação é realmente possível? Co­mente-a.

 

3. (Oswaldo Cruz-SP) Observe a oração: “O tique-taque do relógio nos perturbava”. Qual é a figura de linguagem da expressão destacada?

4. (CESGRANRIO-RJ) Na frase: “O fio da idéia cresceu, engrossou e partiu-se” ocorre processo de grada­ção. Não há gradação em:

a)        O carro arrancou, ganhou velocidade e capotou.

b)        O avião decolou, ganhou altura e caiu.

c)        O balão inflou, começou a subir e apagou.

d)        A inspiração surgiu, tomou conta de sua mente e frustrou-se.

e)        João pegou de um livro, ouviu um disco e saiu.

 

5. (UM-SP) Qual dos períodos abaixo apresenta um desvio das normas propostas pela Gramática, conheci­do no domínio da linguagem figurada como catacrese?

 

a)        Os olhos piscavam mil vezes por minuto diante do horrível espetáculo.

b)        Eu parece-me que vivo em função de um áspero orgulho.

e)        Com o espinho enterrado no pé, levantou-se rápida à procura do pai.

d)         Suas faces avermelhadas traduziam-se em chamas encolerizadas por causa dos males imaginados.

e)         A perversidade secreta daquelas montanhas selvagens assustava as calmas águas do riacho.

 

Texto para a questão de nº 6:

                       Vozes veladas, veludosas vozes,

                      Volúpias dos violões, vozes veladas,

                      Vagam nos velhos vórtices velozes

                      Dos ventos, vivas, vás, vulcanizadas.

                                                             (Cruz e Sousa)

 

 6. (São Marcos-SP) No texto de Cruz e Sousa temos exemplo de:

            a)        paralelismo 

            b)        versos brancos

            c)        eufemismo

            d)        aliteração

            e)        hipérbole

           

7. (São Marcos-SP) Na frase “Ao pobre não lhe devo nada”, encontramos um caso de:

            a)        anacoluto   

            b)        pleonasmo  

            c)        elipse 

            d)        zeugma

            e)        solecismo

 

8. (PUCSP) Nos trechos:

 “...em um dos autores nacionais ou nacionalizados de oitenta pra lá faltava nas estantes do major.”

“...o essencial é achar-se as palavras que o violão pede e deseja”

 encontramos, respectivamente, as seguintes figuras de linguagem:

            a)        prosopopéia e hipérbole  

            b)        hipérbole e metonímia   

            c)         perífrase e hipérbole

            d)         metonímia e eufemismo 

            e)         metonímia e prosopopéia

           

9. (FMU-SP) Nos dois primeiros versos:
                     

                       "O vento voa
                       a noite toda se atordoa"


aparece a mesma figura:


                  a)        metáfora  

                  b)        metonímia  

                  e)        hipérbole

                  d)        personificação

                  e)        antítese

 

10.  (FMU-SP) Observe a letra destacada nos dois primeiros versos:
                      

                       "O vento voa
                       a noite toda se atordoa"


Na consoante que se repete, você vê:


                        a)        aliteração

                        b)        assonância             

                        c)        eco        

                        e)        onomatopéia

 

11. (UM-SP) Aponte a alternativa em que não haja uma comparação.

 

a)           “Rio como um regato que soa fresco numa pedra.”

b)           “E mais estranho do que todas as estranhezas que as cousas sejam realmente o que parecem ser.”

c)           Qual um filósofo, o poeta vive a procurar o mistério oculto das cousas.”

d)           “Os pensamentos das árvores a respeito do mistério das cousas são tão estranhos quanto os dos rios.’’

e)           “Os meus sentidos estavam tão aguçados, que aprenderam sozinhos o mistério das cousas.”

 

(1) NICOLA, José. Gramática contemporânea da Língua Portuguesa. São Paulo: Scipione, 1991,  p. 444-445.

 (2) ibidem, p. 445.

 

 

 

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